Tinha acabado de acordar e fui correndo para a sala assistir meu programa preferido, o da Eliana, o qual o nome me foge no momento. Na época, minha família e eu morávamos em Santos, e meu pai ia e voltava de São Paulo todos os dias para poder trabalhar. Lembro-me de estar sozinha na sala, minha mãe parecia ter ido comprar alguma coisa, meu pai estava no trabalho, minhas irmãs no colégio e meu irmão dormindo. Era só uma manhã normal, assim como todas as outras já vividas! Até que a gincana do Pitoco (uma das várias coisas que só me lembro pelo acontecido importante do dia) é interrompida com uma cena que nunca imaginei ver. Parecia de brinquedo, sabe? Era um avião batendo em um prédio. Um prédio alto, não parecia ser no Brasil. Foi também um dos momentos de maior raiva da minha vida: tudo que eu queria era terminar de ver a última prova da gincana, a parte que eu mais gostava do programa. Só queria que tirassem aquele tal videozinho da televisão para eu voltar a me divertir. Mas aquilo não saía dali por nada... Dei aquele impulso para descer do sofá, já que minhas pernas não alcançavam o chão de tão curtas, e fui ao telefone diretamente ao telefone.
Lá em São Paulo, meu pai atende a chamada e ouve do outro lado da linha uma garotinha de apenas 5 anos falando que um avião bateu no prédio. Primeiro ele tem um pequeno heart attack e acha que um avião bateu no nosso prédio, a aproximadamente 78km de onde ele estava. Depois ele entende que o que aconteceu foi na verdade bem longe, onde havia dois prédios altos e exatamente iguais. Não dá muita bola, até eu dizer com uma certa seriedade: "papai, eu estava assistido ao programa da Eliana e do nada mostrou um avião batendo em um prédio.". Quando ele percebeu que a programação infantil da Record havia sido interrompida, algo sério estava acontecendo. Ligou a televisão do trabalho logo em seguida e se lembrou de alguns e-mails que havia recebido há poucos segundos sobre isso, mas que havia simplesmente ignorado pensando ser spam.
Depois de perceber que papai tinha ficado um pouco abalado (será "abalado" a palavra certa?!) com o tal aviãozinho batendo nos tais prédios gêmos, fui acordar meu irmão. Já não tinha nada que eu podia fazer para continuar assistindo Eliana... A partir daí pouca coisa mudou. Era muito pequena e não conseguia entender a proporção do desastre. Só fui me dar conta alguns dias depois, quando meu pai me explicou com todos os detalhes - e ainda assim foi difícil, eu tinha só 5 anos!
Não sei muito bem o porquê, mas o atentado de 11 de setembro de 2001 teve um marco estranho na minha vida. Não sei se fico orgulhosa ou não de poder dizer aos meus filhos e netos que estava viva no dia do maior ataque terrorista (ou não, rs) da história. Sempre gostei bastante dos Estados Unidos... Eu sei que eles já fizeram coisas terríveis com as outras pessoas, mas não é por isso que vamos generalizar e culpar toda a população. Minha ligação com o primeiro país do mundo é forte, meu melhor amigo (e vários outros) é americano, meu ex-namorado é americano, meus irmãos já moraram lá, tenho amigos brasileiros morando por lá, meu sonho é e sempre foi fazer graduação em NY ou Chicago. Não idolatro o país também não: tem coisas que realmente são completamente desnecessárias, mas, once again, não devemos jogar a culpa no resto. Vários países fazem coisas ruins e os EUA com certeza é o pior deles, mas ainda assim consegue ser o tal país.
O atentado, para mim, teve ajuda e apoio - não foi criado nem planejado, somente teve ajuda - do governo americano, mas as vítimas e famílias que sofreram com tudo isso não têm culpa. Muitos americanos precisam aprender a tirar o pensamento de que os EUA é o melhor lugar do mundo da cabeça, mas percebe-se que isso já está em andamento. Todo americano é patriota, mas o nível está abaixando cada vez mais, graças a Deus.
Nunca vou me esquecer de um dia no intercâmbio quando eu e mais 5 americanos conversamos sobre o 11/9. Cada um contou sua história de onde estava e o que achava de tudo isso, incluindo uma amiga que nasceu e mora em Nova Iorque. Foi então quando eu percebi o verdadeiro impacto do acontecido na vida dos americanos. A cada ano eu assisto a documentários diferentes, leio livros com teorias contrárias e tento saber o máximo possível sobre tudo que aconteceu. Só acho que vocês deveriam fazer o mesmo: falar as coisas sabendo do que realmente se trata. Procure saber mais sobre o que te interessa. Faz bem!
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